Sense8 é uma série estadunidense de ficção científica e dramática dirigida, escrita e produzida por Lilly, Lana Wachowski e J. Michael Straczynski, cuja segunda temporada super aguardada pelos fãs, chegou esse mês ao serviço de streaming NetFlix.

Em sua primeira temporada, Sense8 deu foco aos personagens e seus dramas pessoais, deixando de lado o mistério da organização que os perseguia. O que se esperava dessa segunda temporada era que os mistérios fossem solucionados e/ou parcialmente solucionados e que a ameaça fosse aprofundada; todo mundo queria saber mais sobre o tal do Mr. Whispers (Terrence Mann), mas será que os produtores conseguiram se conectar com os fãs e entregar o que eles queriam? Será que eles deveriam entregar aquilo que se estava esperando,  aquilo que funcionaria com mais garantia?

Vamos recapitular um pouco, no final da primeira temporada, Will Gorski (Brian J. Smith) acaba tendo contato visual com Whispers em meio ao resgate de Riley Blue (Tuppence Middleton), possibilitando assim que Whispers o acesse, ou seja, o vilão consegue ver tudo que o Will vê e até ouvir seus pensamentos, em suma, ferrou a vida do cluster em verde e amarelo!

Sendo assim, a segunda temporada mostra as consequências para o cluster de ter um espião da BPO ouvindo e seguindo todos os seus passos, porém a coisa é mais intensa com Will e Riley, que são obrigados a viver se escondendo e jogando um jogo de gato e rato mental e psicológico nada agradável.

Como vimos no final da primeira temporada, Will é obrigado a passar a se drogar para manter Whispers fora de sua mente, o isolamento do personagem e de sua companheira, sua situação psicológica e emocional vão se deteriorando conforme a segunda temporada avança, mas isso não significa que Will não utilize suas habilidades adquiridas com treinamento policial para tornar a vida do vilão mais difícil.

Enquanto Will está debilitado e enfrentando uma guerra mental, Riley é obrigada a agir sozinha. Eu particularmente adorei o fato do roteiro mostrar o quão corajosa Riley é, pois alguns ainda achavam a personagem meio chata e fraca. Riley de fraca não tem nada!

Por falar em força, o arco da Sun Bak (Doona Bae) está maravilhoso. Após comer o pão que o diabo amaçou na primeira temporada e acabar sendo presa injustamente e sofrer várias tentativas de assassinato dentro da prisão, Sun finalmente consegue escapar e se planeja para finalmente se vingar de seu irmão filho de uma fuampa, inclusive, quase que a metade da season finale da segunda temporada é dedicada ao plot dessa mulher maravilhosa!

Enquanto isso, Nomi (Jamie Clayton) com auxílio da maravilhosa Amanita (Freema Agyeman) e do excêntrico Bug (Michael X. Sommers), ajuda seu cluster a se livrar de barreiras tecnológicas e acaba tropeçando em uma possibilidade de se ver livre de seus problemas e finalmente poder ter uma vida “normal” ao lado de Amanita. A personagem não tem seus dramas internos intensamente explorado como os outros personagens, mas quando isso acontece em um episódio, é de se afogar em lágrimas!

Por falar em lágrimas, não poderia deixar de falar do Lito Rodriguez (Miguel Ángel Silvestre) que está a personificação do drama nessa temporada, mas não pense que o drama dele é sem sentido, pelo contrário. Após os eventos da primeira temporada, era inevitável que o personagem se posicionasse acerca da polêmica envolvendo sua sexualidade e em uma cena maravilhosa gravada em São Paulo ele dá o tão aguardado e importante passo, para depois acabar vendo sua carreira sofrendo uma grande transformação, que poderia ter afundado o ator se não fosse a ajuda do seu parceiro Hernando (Alfonso Herrera) e de sua parceira? Daniela Velázquez (Eréndira Ibarra). Há uma cena onde é feita a reinterpretação da cena clássica do filme “Um Passo Para a Eternidade” (1953) que é absolutamente bonita e emocionante!

Agora, se há um personagem que mudou totalmente de rumo foi o Capheus Onyango (Toby Onwumere), o nosso querido Van Damme ganhou um arco bem mais desenvolvido com direito a um romance e surpreendentemente a uma campanha eleitoral. É revoltante acompanhar o que ocorre, como ocorre e que não há quem mova uma palha para mudar as coisas em Nairóbi, a coisa fica ainda mais revoltante quando em certa situação é feito um link com as empresas da família de Rajan, marido de Kala.

Kala Dandekar (Tina Desai) continua em seu triangulo amoroso entre Rajan Rasal (Purab Kohli) e Wolfgang, porém a cada dia mais caindo em si, se descobrindo e tomando coragem para alcançar sua maior meta, ainda inalcançada, ser feliz de verdade!

Enquanto isso, Wolfgang (Max Riemelt) se envolve com Lila Facchini (Valeria Bilello) e gente, que satanás é essa mulher. Lila aparece em apenas 3 episódios durante a série, mas eu te garanto que você vai odiar essa mulher com mais intensidade do que odeia o Whispers!

Além de aprofundar os personagens e seus dramas, a série se propõe a aprofundar sua ameaça, responder perguntas por meio de flashbacks e introduzir mais elementos de ficção científica na trama, porém peca e bastante, bastante mesmo por não saber equilibrar esses elementos, chega a parecer que nem se preocuparam em tentar.

Com aquela season finale aterradora, pode ser que na terceira temporada tenhamos finalmente um aprofundamento no gênero sci-fi e uma ameaça verdadeiramente preocupante, mas teremos que aguardar, particularmente achei aquele cliffhanger uma atitude bem desesperada.

A fotografia e trilha sonora da série permanece indiscutivelmente bem feitas, as cenas de sexo então são uma atração a parte, como disse minha amiga Jeniffer, são as cenas de sexo mais bonitas que você vai ver na TV, há bastante fã service aqui e ele é utilizado descaradamente.

A segunda temporada de Sense8 com toda a certeza agradará aquelas pessoas que ficaram fãs da série e de seus personagens em sua primeira temporada, porém dificilmente fará com quem não gostou muito da execução da série, sinta agora o mesmo amor que os fãs sentem, pois faltou construção e equilíbrio. Não se apavore se você terminar a série achando que toda a trama da BPO pareceu confusa, pois ela é bem confusa mesmo, beirando o mal escrito, soou um pouco como: Ah, a série ainda é de ficção científica né? Vamos colocar uns comprimidos bloqueadores, uns capacetes neurais e alguns ambientes assépticos na trama vai!

O maior mérito da série continua sendo sua representatividade; a forma com que assuntos polêmicos são tratados e também a forma com que as minorias são retratadas fazem de Sense8 uma série que gera empatia imediata de várias comunidades e levanta questões como o pré-conceito contra homossexuais, transgêneros, uso de drogas, religião, política, entre outros, que estão mais do que nunca precisando ser discutidos e é de encher os olhos e o coração ver uma série que se propõe a apresentar tais discussões da forma correta.

Quantos cafés a segunda temporada de Sense8 merece?

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