Semana passada o cantor Harry Styles lançou seu primeiro trabalho solo, o disco auto-intitulado é seu primeiro passo em carreira solo após o fim da boyband One Direction. Eu vou ser sincero, eu nunca gostei da sonoridade da boyband e sinceramente não sei nenhuma música deles, apesar deles terem sido um fenômeno mundial por alguns anos.

Hoje em dia eu simplesmente não escuto rádio, as músicas e artistas que eu gosto estão no meu celular e Spotify, por isso, dificilmente estou conectado ao que a maioria das pessoas estão escutando, eu escuto músicas que me agradam e fazem algum sentido pra mim, independente da massa achar que é de qualidade ou não.

Eu sempre dou uma olhada nos lançamentos musicais da semana e posto por aqui na coluna Music Fridays e foi assim que eu escutei o lead single do disco do Harry e eu me surpreendi tanto que não consegui evitar esperar com certa ansiedade sobre o que viria no restante do material. Bem, chega de falar de mim e vamos ao que interessa!

Meet Me In The Hallway

A canção que abre o disco é bem melancólica e dá uma boa ideia do que veremos pela frente no sentido de composições. Cheia de ecos, rouquidão e um violão competente, estranhamente há uma parte que você pode ouvir acordes de música havaiana na faixa, achei engraçado!

A canção fala sobre esperar que alguém volte para acertar as coisas, sobre esperar que haja uma conversa e que as coisas possam voltar a ser como eram e é por isso que é uma ótima canção para abrir o álbum, pois mostra o tom confessional e emocional que permeia todo o trabalho de forma crua e honesta, inclusive, honesto é um bom adjetivo para esse álbum.

Just let me know
I’ll be at the door, at the door
Hoping you’ll come around
Just let me know
I’ll be on the floor, on the floor
Maybe we’ll work it out

Sign Of The Times

“Sign Of The Times” foi escolhida como lead single do trabalho e a escolha não poderia ter sido melhor!

A canção remete muito a sonoridade das canções das décadas de 60/70 e com toda a certeza foram décadas utilizadas como referências para composição do trabalho.

A balada emocional, gritada e contemplativa (fato realçado com o clipe) é uma declaração de amor bem amarga, onde fica evidente a eminente perda de algo ou alguém e as tentativas vãs de tentar lutar contra o fim.

Just stop your crying

It’s a sign of the times

We gotta get away from here

We gotta get away from here

Carolina

Na terceira faixa do disco temos uma pausa na sofrência para descobrir suas claras influências de nada menos que Beatles!

A canção fala sobre uma garota chamada Carolina, supostamente, e é cheia de gritinhos, sussurros,  distorções vocais, backing vocals ( la la la la la la la la la), é uma faixa bem gostosa e assista o vídeo e me diga se não tem um clima Beatlemania!

I met her once and wrote a song about her
I wanna scream, yeah, I wanna shout it out
And I hope she hears me now

Two Ghosts

Supostamente sobre seu relacionamento com Taylor Swift e uma resposta a canção que a cantora fez para ele “Style” em seu último disco que tinha mais indiretas a outras pessoas do que a sua timeline do Facebook, “Two Ghosts” é uma música basicamente sobre duas pessoas que mudaram e que deixaram um vazio na vida um do outro, no lugar de corações batendo sobraram dois fantasmas vazios.

A canção também tem violão e a melodia é bem gostosa, sem dúvida uma das minhas favoritas do álbum, além disso, lembra um pouco a canção “You And I” da Lady Gaga só que sem o refrão explosivo.

We’re not who we used to be
We’re not who we used to be
We’re just two ghosts standing in the place of you and me
Trying to remember how it feels to have a heartbeat

Sweet Creature

Mais uma faixa acústica, eu amo faixas acústicas e os backing vocals concedem a canção um tom country bem leve! A canção fala sobre ter alguém na sua vida que, mesmo apesar de brigas e desentendimentos típicos de pessoas jovens, quando estão juntas é como se estivessem em casa.

Sweet creature, sweet creature

Wherever I go
You bring me home

Only Angel

“Only Angel” abre com uma intro com piano, vozes de coral, bem parecido com “Sign Of The Times”, na verdade uma certa reciclagem da faixa, mas é bruscamente interrompida por gritos e dá lugar a riffs de guitarra e explode surpreendentemente em mais um rock gostoso pra caralho, sabe esses clipes que tem a banda tocando no palco e um monte de gente louca na platéia, subindo no palco e dando mosh? É essa sensação que tenho escutando a faixa.

Open up your eyes, shut your mouth and see
That I’m still the only one who’s been in love with me
I’m just happy getting you stuck in between my teeth
And there’s nothing I can do about it

Kiwi

Mantendo a pegada rock do álbum, em “Kiwi” Harry fala sobre estar afim de uma garota neozelandesa, a melodia é muito boa, a música é empolgante, mas a letra é bem fraquinha se comparada a das outras faixas, porém também é um rock cheio de gritos, backing vocals e certamente boa para pular nos shows durante a sua execução!

And now she’s all over me, it’s like I paid for it
It’s like I paid for it, I’m gonna pay for this

Ever Since New York

Mais uma faixa acústica super emotiva e com vocais bem colocados e sem dúvidas emocionais, principalmente em seu refrão onde o cantor clama para que a pessoa lhe diga algo que ele já não saiba, claramente é aquele momento do show onde todos acendem uma luz e ergue os braços para cima acompanhando a melodia.

Tell me something, tell me something
You don’t know nothing, just pretend you do
I need something, so tell me something new
Choose your words ‘cause there’s no antidote

Woman

A faixa começa com o cantor dizendo: Deveríamos só procurar umas comédias românticas no Netflix e ver o que encontramos? E depois se torna uma canção com piano, guitarra e um pato de borracha fazendo quék no fundo, juro, parece aquele joguinho de videogame antigo que você tinha que atirar em marrecos. A faixa é interessante e fala sobre não suportar ver a amada com outra pessoa.

I’m selfish, I know
I don’t ever want to see you with him
I’m selfish, I know
I told you, but I know you never listen

From The Dining Table

“From The Dining Table” encerra o disco da mesma forma que ele começa, triste, deprimido, sentindo falta da pessoa amada e esperando que ela volte.

A faixa também é bem acústica, dessa vez com vocais mais sussurrados, estes inclusive me lembram algumas canções do Jack Johnson, não sei se foi influência, provavelmente não, mas me remete bastante aos vocais gostosos de ouvir do Jack.

A canção é bonita, vai evoluindo, ganhando texturas, violinos, se expandindo cada vez mais e ficando cada vez mais triste na medida que acompanhamos a letra esperando que tudo se resolva no final.

I saw your friend that you know from work

He said you feel just fine
I see you gave him my old t-shirt
More of what was once mine

O disco de estreia da carreira solo de Harry Styles é honesto, enxuto e bem feito, não há sobras aqui, as músicas se conversam e o trabalho é redondo. A sonoridade repleta de influencias do rock dos anos 60, 70 e 80 me surpreenderam e eu tenho certeza que as pessoas que eram fãs do trabalho do cantor no One Direction ficarão muito orgulhosos de ver o quanto o artista amadureceu musicalmente. Se em seu debute Harry entrega um trabalho consistente e bem feito assim, mal posso esperar para ver o que ele fará daqui para frente, sem dúvida uma estrela do rock está nascendo!

Espero que tenham gostado desse novo formato de postagem, pois eu gosto bastante de analisar discos faixa a faixa, por falar nisso, mal posso esperar pelos lançamentos de Junho, só adianto que terei muito trabalho com posts assim em vista da quantidade de lançamentos que estou empolgado para conferir no próximo mês.

Ah, você quer saber quantos cafés Harry Styles merece em seu disco de estréia?

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