“O Rastro” é um thriller nacional dirigido por J.C. Feyer, com atuações de Rafael Cardoso, Leandra Leal, Cláudia Abreu, Felipe Camargo, Jonas Bloch e Domingos Montagner; o filme estreou dia 18.

No longa, o médico João (Rafael Cardoso) é o responsável pelo acompanhamento e transferência de pacientes de um hospital público do Rio De Janeiro que será fechado por falta de verba, aqui o filme denúncia a precariedade do sistema de saúde pública no estado que viveu sua pior crise na área em 2016.

Em meio ao trabalho de organizar o fechamento e a transferência dos pacientes, João descobre que misteriosamente uma paciente nova foi admitida no hospital, mesmo após os leitos terem sido bloqueados para novas internações. Imediatamente fica claro para todos que estão trabalhando no projeto que há uma resistência por parte do médico mais antigo do hospital quanto ao fechamento do lugar.

Assim, João é incumbido de conversar com esse médico, com o qual já chegou a trabalhar, para mostrar que a situação é realmente insustentável e também conhecer a garota admitida no hospital e encaminhá-la para outro.

Do dia para a noite, a garota simplesmente desaparece do hospital sem deixar muitos vestígios e após encontrar os pertences da garota no lixo e descobrir uma assustadora verdade contada pelo responsável pela limpeza do lugar, João torna-se obcecado pela garota e por seu paradeiro, é ai que o psicológico do personagem começa a se deteriorar provocando visões e alucinações com a garota, preocupando sua mulher grávida Leila (Leandra Leal).

Enquanto João segue um rastro buscando respostas, ele vai encontrando pessoas que tentam barrá-lo de continuar sua busca, o que só faz com que o personagem se torne ainda mais obcecado e acabe por descobrir as verdades inquietantes e perturbadoras do lugar.

A fotografia do filme é belíssima, eu cheguei a ver em algumas entrevistas que a direção queria que o personagem principal da história fosse o hospital, chegaram a referenciar o Hotel Overlock de O Iluminado como exemplo do que queriam que o hospital fosse no filme e dentro do possível eles conseguiram, a fotografia se utiliza da luz natural do hospital e certamente é um grande mérito!

Outro mérito do longa é a escalação dos atores, Rafael Cardoso e Leandra Leal estão ótimos e convincentes em cena, o que é muito importante para filmes do gênero, embora a personagem de Leandra seja pouco aproveitada, as cenas dela são muito bem feitas e a intensidade dramática desempenhada pela atriz é maravilhosa!

Outro ponto digno de menção é o fato de que a produção se utiliza da realidade brasileira para construir seu plot, não temos aqui um chupim versão brazuca do que estamos acostumados a ver do gênero nos cinemas, dentro dos limites possíveis o filme foi criativo e inventivo, inclusive o plot twist é bem mais que satisfatório e bem perturbador sem deixar de lado a denúncia que o filme queria passar desde o início, os problemas causados pela má gestão política e pela ganância inescrupulosa de pessoas que estão no poder.

Porém, nem tudo são flores, o filme possui um grave desequilíbrio de noção de ritmo, sendo desenvolvido bem mais lentamente do que o necessário e super acelerando o seu terceiro ato.

Dá pra entender que o filme tenta preparar o telespectador para as revelações e o plot twist do final, porém com a morosidade da investigação de João, pode ser que o tiro saia pela culatra e que algumas pessoas percam o interesse pelo que está acontecendo ou com o que poderá acontecer.

Outro problema é o elemento sobrenatural da trama, na verdade é o ponto mais fraco da produção, o que é uma baita falha, uma vez que o filme se propôs a ser de horror, aqui temos um thriller com elementos sobrenaturais fracos.

“O Rastro” é uma bela lufada de ar fresco na utilização do gênero em produções nacionais, é evidente o cuidado, zelo e o amor pelo qual o filme foi construído e produzido. Porém, como em todo início (não estamos bem servidos de produções do gênero por aqui) há algumas falhas que impedem que o filme seja tão bom quanto poderia ser, mas não tira de forma alguma seus méritos, pelo contrário, faz reacender a esperança de que ainda podemos ter algo de qualidade dentro do meu gênero favorito e Made in Brasil!

Você quer saber quantas canecas de café “O Rastro” merece?

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