“Witness” é o quarto trabalho de estúdio da cantora e compositora americana Katy Perry, quem nunca ouviu I Kissed a Girl do primeiro disco “Ones Of The Boys” (2008), ou Teenage Dream do disco homônimo de 2010, ou cantou no ventilador ao som de Dark Horse do álbum “Prism” (2013)? Tá, ok, esse último só a Júlia fez!

CAPA

De acordo com a cantora em uma entrevista para o programa do Jimmy Fallon, o conceito da capa é bem simples:

“A música me permitiu viajar, o que reeducou minha mente e mudou muito minha perspectiva, então minha educação e minha consciência vem da minha voz, e é assim que eu vejo, e é assim que eu testemunho você e é assim que você me testemunha e é por isso que o olho está na boca”.

Divulgação

Se tem uma coisa que a cantora e sua equipe sabem fazer bem é divulgação. O primeiro single foi divulgado de forma no mínimo curiosa, foram espalhadas pelo mundo bolas espelhadas acorrentadas e com fones de ouvido onde era possível escutar uma prévia do lead-single “Chained To The Rythm”.

Se você achou que foi uma boa sacada, calma! Para o segundo single, agora aparentemente considerado apenas como buzz-single, a divulgação foi ainda mais criativa. Além de enviar uma receita da Melhor Torta de Cereja do Mundo por e-mail para os fãs, a cantora foi para as ruas distribuir tortas como forma de divulgar a canção “Bon Appétit”.

Katy também usou sua presença no Met Gala que aconteceu em 1/5 para divulgar a música “Witness”, usando a palavra que dá nome ao seu novo disco bordado em um véu que compunha seu look, até então ninguém sabia qual seria o nome do disco oficialmente.

Para encerrar, no 9, data na qual o disco foi lançado mundialmente, a cantora começou uma espécie de reality show chamado Witness World Wide, onde sua rotina foi transmitida pelo Youtube até o dia 12, culminando em um show para fãs que ganharam ingressos que foram sorteados. O reality foi super interessante e esclarecedor de diversas formas, além de termos a cantora ensaiando com fãs e respondendo suas perguntas (muitas delas infinitamente melhores do que as feitas por jornalistas) pudemos acompanhar a cantora fazendo Yoga, meditação, terapia, exercícios, mas nada ali foi feito de forma banal, ela decidiu mostrar o que cada uma dessas coisas influenciaram em sua vida e em sua mudança e evolução como pessoa e artista.

Além disso, pudemos ver o quanto a mídia é manipuladora, isso ficou bem claro quando Katy precisava conceder alguma entrevista e após o término falava: vocês perceberam a quantidade de armadilhas que tive que me esquivar? Um dos exemplos dessa manipulação e desse hate da mídia em cima da imagem da cantora é o fato dela ser questionada sobre Taylor Swift em todas as entrevistas que concede e a mídia depois fazer uma lista hipócrita chamada: Todas as vezes que Katy Perry usou o nome de Taylor para divulgar seu novo trabalho. Bitch Please!

Um dos momentos altos do reality foi a consulta da cantora com o terapeuta, onde ela se abriu totalmente em um ato super corajoso e fez diversas declarações sobre as mudanças que ocorreram em sua vida e como ela precisava ser autentica e verdadeira com ela e com o mundo nesse novo trabalho.

WITNESS

A faixa que abre o álbum é muito querida pelos fãs, pois ela chegou aos ouvidos do mundo de forma antecipada em uma versão demo vazada. A faixa é muito bem produzida e fala sobre procurar alguém para testemunhar sua vida, alguém que fale sua língua e esteja ali tanto nos momentos bons quanto nos momentos ruins e isso reflete bem o propósito do disco que narra a história de uma pessoa tentando se encontrar, se reprogramar e ter alguém para caminhar por tudo isso junto.

O conceito ficou bem mais evidente com o reality, uma vez que descobrimos a principal motivação da cantora para tantas mudanças, ela quer agora mostrar ao mundo quem é a pessoa por trás da personagem que ela criou e nos convida para testemunhar essa jornada que acontece de dentro para fora.

HEY HEY HEY

Super empoderada, a segunda faixa do disco que foi coescrita pela maravilhosa cantora e compositora Sia, é um hino feminista que mostra que mulheres não são só uma coisa, ela pode muito bem ser feminina e dirigir um monster truck e tudo isso usando um vestido, se você ainda assim continuar achando que elas são o sexo frágil, hey hey hey, pense de novo!

O refrão é super catchy e a canção pede para ser single, além disso adorei as analogias da letra e super queria ver Katy dando uma de Marilyn Monroe in a monster truck!

ROULETTE

Por falar em canção que pede para ser single, vamos todos acender nossas velas para que Katy Perry não desperdice Roulette, não queremos uma Legendary Lovers 2.0 nem em sonho!

Roulette é uma canção com uma sonoridade dance house oitentista cheia de sintetizadores, a primeira vez que ouvi os sintetizadores do início da faixa pensei naqueles programas toscos de luta combinada que passava na TV, e sua letra fala basicamente sobre largar a segurança e padrões e se arriscar: Take the safety for a minute/ ‘Cause my love’s a bullet with your name written on it/ Just load it and spin it/ Like Roulette ooh-ooh.

A música é muito visual e é fácil imaginar um clipe da cantora dirigindo uma motocicleta a noite pelas avenidas de uma cidade grande e causando altas confusões, ok essa minha conclusão foi meio Sessão da Tarde, mas acho que deu para sacar o espírito da coisa, certo?

SWISH SWISH featuring NICKI MINAJ

Quando começou a divulgação do disco, a cantora anunciou que cada música simbolizava um tipo de libertação para ela e Swish Swish simboliza a libertação de tudo que te faz mal e tenta te colocar para baixo!

É claro que imediatamente surgiram comentários de que a faixa seria uma resposta para Bad Blood de Taylor Swift, vamos combinar que o som da palavra Swish é bem parecido com Swift e que o fato de Swish Swish vir acompanhado de um Bish (analogia com bitch) só serviu para deixar as coisas mais intrigantes. Sendo para Taylor ou não, a canção é uma das mais bem produzidas do trabalho.

A faixa é bem disco, possui um sample da Fatboy Slim e a participação da rapper Nicki Minaj, sendo o primeiro featuring. Eu adorei a participação da Nicki, embora não goste tanto do trabalho solo dela, a faixa é empoderada num sentido até que auto-motivacional e sem dúvida nasceu para ter um videoclipe, estamos esperando Katy!

DÉJÀ VU

Por falar em faixa bem produzida, Déjà Vu é maravilhosa em vários sentidos, mas principalmente em sua coesão como um todo, pois tanto a composição quanto a melodia e a ótima produção de Hayden James fazem muito sentido com o assunto que a música aborda, a faixa é intrinsecamente um looping infinito com vocais DELICIOSOS!

Aqui Katy narra uma relação que nunca muda, ao ponto de parecer que eles estão sempre seguindo em um looping infinito que nunca vai chegar a lugar algum.

POWER

Aqui temos outro hino feminista empoderado, onde a cantora canta sobre reaver seu poder não só em uma relação, mas também em diversos aspectos de sua vida, afirmando que ela (e toda mulher) é uma deusa e você sabe disso, então deveria demonstrar respeito.

A introdução da faixa é quebrada por um solo de bateria louca e espetacular, eu particularmente adorei a letra e a produção da faixa, o único “defeito” é o vocal mais sujo devido a efeitos de pedais vocais, mas hey, isso não é bem um defeito, pois assim creio que ao vivo a canção soará ainda melhor que a versão de estúdio.

MIND MAZE

Nem tudo são flores não é mesmo? Se em Power temos um probleminha mínimo com pedais, aqui temos um problemão com o auto-tune, Mind Maze é a única faixa que eu sempre pulo do disco, pois o auto-tune no refrão é irritante aos meus ouvidos, o que é uma pena, pois as estrofes e bridge da canção são interessantes e a letra também.

A faixa fala basicamente sobre se sentir perdido em meio aos seus próprios pensamentos e ações chegando ao ponto de perceber que talvez você esteja atrapalhando seu próprio caminho.

MISS YOU MORE

Chegou a primeira balada do disco, aqui a cantora fala sobre sentir a falta de seu ex em uma intensidade maior do que amou-o no passado, uma sensação nostálgica referente a uma relação na qual ninguém perdeu ou ganhou, simplesmente não deu certo.

Os vocais estão maravilhosos, a canção consegue transmitir emoção e a voz da cantora é evidenciada enquanto temos o som de piano, sintetizadores suaves e estalar de dedos ao fundo. É basicamente uma daquelas músicas que com certeza cantaremos no show balançando os braços, estralando os dedos e chorando também né, fazer o que!

CHAINED TO THE RHYTHM

Chained To The Rythm foi o lead-single do disco, a música foi lançada pouco tempo depois das eleições presidenciais dos Estados Unidos e é uma clara crítica ao atual presidente. Porém não é somente isso que Katy critica aqui, a canção é uma crítica profunda ao ideal do sonho americano que não passa de uma ilusão em tons de rosa.

A critica fica ainda mais evidente e profunda com o clipe, onde a cantora utiliza um parque de diversões como metáfora. Além de tudo isso, a música tem um refrão bem catchy e veio com a promessa de que a cantora faria um álbum diferente, o qual ela acabou chamando de porposefull pop, ou pop com propósito.

Ainda levando em conta o conceito de libertação, a cantora chegou a declarar que CTTR  simboliza o fato de que ela não está mais com os olhos fechados e passou a ver as coisas como elas realmente são.

TSUNAMI

Aqui temos mais uma faixa que é uma DELICIA, Tsunami é uma canção bem linear com vocais meio sussurrados e sexy’s, a letra fala basicamente sobre sexo, aqui a cantora incita seu parceiro a não ter medo de mergulhar fundo e causar uma Tsunami com ela. Adoro essas metáforas!

BON APPÉTIT

Bon Appétit é sem dúvida a faixa que mais destoa do conceito do disco, é claro que cabe aqui a questão da liberação da sexualidade, de estar a vontade com o próprio corpo e de escolher o que se quer fazer com ele, mas é claramente uma faixa mais pop mais comercial criada justamente para chamar atenção para o disco, pena que não deu muito certo devido às diversas polêmicas que a mídia criou acerca da cantora e a escolha do feat com Migos só colaborou para aumentar o hate sobre a faixa, uma pena!

BIGGER THAN ME

Durante a pré-divulgação do disco, a cantora concedeu algumas entrevistas e revelou que a faixa Bigger Than Me era sobre o período conturbado das eleições presidenciais e a derrota de Hillary Clinton e o que ela tirou de tudo isso, basicamente é uma canção auto-reflexiva sobre encontrar sua própria voz, propósito e não ter medo de se posicionar.

Ao contrário do que se pode pensar, a canção é bem dançante e o ritmo bem envolvente, é um hino? É um hino!

SAVE AS DRAFT

Temos aqui a segunda balada do disco, Save As Draft fala sobre a sensação de ter vontade de voltar a entrar em contato com alguém, de mandar uma mensagem dizendo tudo que está entalado, mas acabar refletindo a respeito e encerrar o assunto salvando a mensagem como rascunho. Essa é a minha balada preferida do disco sem dúvidas!

Confira a primeira performance feita durante o reality show em uma versão acústica!

PENDULUM

É incrível como a cantora resolveu sair de sua zona de conforto e experimentar novas sonoridades, eu nunca imaginei uma faixa dessas sendo gravada por ela.

Pendulum é uma metáfora sobre a vida e sobre quanto ela é inconstante, a faixa é muito bem produzida e tem um coral arrebatador! Escuta isso agora!

INTO ME YOU SEE

Com Into Me You See, que trata-se de um jogo de palavras que verdadeiramente significa Intimacy (intimidade), chegamos ao final dessa jornada que ela nos convidou a testemunhar e é justamente sobre intimidade e estar totalmente aberto que a faixa fala, o que faz todo sentido se levarmos em conta o quanto a artista se expôs e arriscou nesse novo trabalho, contudo, a faixa é sem dúvidas a mais fraca do disco.

Mas ainda não acabou, a versão do disco vendida pela Target possui duas faixas bônus, sendo elas Dance With The Devil e Act My Age, dessas eu gostei mais da experimental e sombria Dance With The Devil e acho que ela deveria ter substituído Mind Maze na versão standard. #FaleiESaiCorrendo

Witness é um álbum que atesta o crescimento e amadurecimento da cantora em diversos sentidos, isso é evidenciado por todo o conceito do disco, repleto de experimentações.

Mais do que falar sobre se libertar e ser quem você realmente é, aqui neste trabalho, Katy está colocando em prática tudo que sempre nos inspirou a fazer e a ser, ela está começando aprender que há ali dentro fogos de artifício e que ela não precisa ter medo de mostrar ao mundo o que há por trás do personagem.

Fato é que ninguém poderá dizer que a cantora seguiu a receita que deu tanto certo nos seus trabalhos anteriores, as pessoas pediam por mudanças e Katy nos deu um disco denso, com experimentações sonoras, vocais e estéticas, cheio de empoderamento, posicionamento e intimidade e se tudo isso soa insuficiente, talvez você deva colocar seus óculos cor-de-rosa e voltar para Oblivia onde o mundo é doce, cheio de cores, brilhos, conformismo e você poderá seguir em looping infinito acreditando que o céu é sempre azul.

 

Quantos cafés Witness merece?

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