American Gods é uma série de televisão americana baseada no livro de fantasia e mistério homônimo do escritor Neil Gaiman, criada por Bryan Fuller e Michael Green e transmitida pelo canal Starz, em sua primeira temporada a série conta com oito episódios.

Shadow Moon

Sentenciado a cumprir seis anos de prisão por agressão e lesão corporal, Shadow Moon (Rick Whittle) é libertado alguns dias antes do término de sua pena, mas isso não é motivo para comemorações, pois no mesmo momento ele descobre que sua amada esposa Laura Moon (Emily Browning) acaba de falecer em um acidente de carro e esse foi o motivo da atenuação.

A caminho de sua cidade para o velório e enterro de sua esposa, Shadow encontra um homem chamado Mr. Wednesday (Ian McShane), que lhe oferece um emprego, que é recusado por Shadow, porém Wednesday começa a persegui-lo até que consegue convencê-lo a aceitar, então, a série passa a se desenvolver como uma espécie de road movie.

Mad Sweeney, Shadow Moon e Wednesday

A primeira criatura que Shadow e Wednesday encontram em sua road trip, é Mad Sweeney (Pablo Schreider), um Leprechaun. Essa figura mitológica do folclore da Irlanda é famosa por ser guardiãs ou conhecedoras de grandes fontes de tesouros, além de serem beberrões, malandros e possuírem uma moeda mágica, guarde essa informação!

Essa primeira aparição de Mad Sweeney já deixa clara a personalidade da criatura, ele arruma briga mesmo, joga dinheiro na cara mesmo e brinca com a sorte como se não houvesse amanhã e é ao brincar com a sorte que Mad acaba se dando mal e perdendo sua moeda mágica que lhe concedia sorte. Depois desse encontro com Shadow e Wednesday, Mad se encontra em uma maré de azar que só poderá superar quando reaver sua moeda.

Laura Moon – Dead Wife

Chegando em sua cidade natal com Wednesday no seu pé, Shadow se prepara para o velório de sua esposa, porém acaba descobrindo detalhes nenhum pouco prazerosos sobre a morte da esposa, bem, pelo menos não foram prazerosos para ele. Eu não vou estragar aqui as circunstâncias da morte, mas adianto que Shadow encontra no velório a ex-mulher recém viúva de seu melhor amigo aos prantos, desesperada, histérica e querendo matar os recém-falecidos mais uma vez.

Eu não cheguei a ler a obra de Neil Gaiman, pois ouvi muitas criticas ruins acerca do livro, muitas mesmo, então acabei deixando a leitura de lado, até que vi que a série estreou e resolvi dar uma chance, porém, de acordo com as mesmas pessoas, a série pisa no material original e um exemplo disso é justamente a personagem Laura Moon, que no livro é mal desenvolvida e chata e ganha um arco narrativo interessantíssimo na série.

Por falar em Laura, em seu enterro, Shadow, apesar de puto da vida com o que ela fez, se despede de sua amada e joga a moeda que ganhou de Mad em sua cova e tempos depois, Laura volta como uma morta reanimada, conhecida agora como Dead Wife (Esposa Morta) e pronta para reconquistar Shadow, a luz de sua vida, literalmente. O único problema é ela estar reanimada somente por causa da moeda de Mad, que a quer de volta de qualquer jeito.

Deixo bem claro aqui que a moeda não concede o dom de ressuscitar, é apenas um artefato que concede sorte ao seu portador, portanto ela tem a sorte de “voltar a vida” e sair por aí chutando bundas tirando colunas espinhais do lugar.

Tech Boy e Media – novos deuses

Enquanto Dead Wife e Mad Sweeney tentam lidar com suas buscas, Shadow e Wednesday são constantemente confrontados por Tech Boy (Bruce Langley), um jovem e arrogante deus tecnológico americano atual, Media (Gillian Anderson), sim a mídia, uma deusa americana atual tão cheia de charme quanto ameaça e Mr. World (Crispin Glover) um deus que é a representação do mundo atual globalizado.

Tech Boy, Media e Mr. World são um grupo de deuses novos que possuem o objetivo de fazer uma espécie de upgrade nos deuses antigos que se filiam a sua causa de transformar o mundo. Porém essa transformação que eles querem é bem egoísta, pois o upgrade que oferecem aos deuses antigos na verdade os colocam como deuses inferiores, na medida que alavancam sua popularidade e poder.

Você deve estar pensando: “…mas que deus em sã consciência se renderia a ser um fantoche da mídia, da tecnologia e de um mundo globalizado?”. Bem, deuses precisam de fieis para sobreviver, uma vez esquecidos pelos fieis, os deuses simplesmente param de existir e essa é justamente o ponto fraco no qual os novos deuses se apegam para destruir ou subjugar os deuses antigos enquanto reafirmam seu poder sobre o mundo atual.

Bilquis – deusa da Luxúria

Um exemplo de deusa e rainha antiga que acabou sendo subjugada pelos deuses novos, nesse caso por Tech Boy, é Bilquis (Yetide Badaki). Antigamente venerada e rainha no Egito antigo, Bilquis vai perdendo sua adoração aos poucos, sendo o pior momento nos tempos atuais quando os terroristas da ISIS destroem o seu templo (sim, a série faz várias críticas inteligentes aos tempos atuais e possui diversas referências a história das Américas). Sem seus fieis adoradores, Bilquis se vê em uma situação de abandono literal, até que Tech Boy a encontra e lhe propõe um acordo, onde ele lhe entrega a adoração de volta e ela fica devendo um favor.

A adoração prometida vem em forma de aplicativos de encontro, sim gente, uma referência ao Tinder, assim Bilquis consegue seus adoradores de volta e se fortalece a cada encontro, pois seus poderes e longevidade são providos pelo sexo, mais especificamente quando suga seus parceiros sexuais para dentro de si e se alimenta de suas essências. A cena que mostra essas demonstrações de poder de Bilquis são bem WTFFFFFFFFFFFFFF, porém lindas!

Ostara/ Easter – deusa da primavera e ressurreição

Então, cabe a Wednesday recrutar os velhos deuses enquanto Mr. World, Media e Tech Boy recrutam os novos deuses e os deuses que passaram pelo upgrade para se enfrentarem e decidirem o destino do mundo.

Ao final da temporada muitas dúvidas são esclarecidas, mas muita coisa ainda permanece em aberto, sendo a principal delas a motivação para que Wednesday tenha escolhido e feito de absolutamente tudo para manter Shadow ao seu lado.

Será que ele só precisava de alguém que fosse fiel a ele e o adorasse ou Shadow tem um papel mais importante nisso tudo? Também é de se pensar em qual será a reação de Shadow após descobrir que Wednesday também é um deus e como ele vai lidar agora que Laura o reencontrou e continua lutando pelo seu amor, mesmo morta, e sabe de coisas a respeito de Wednesday que nem ele mesmo sabe. E o que acontecerá entre os deuses novos e antigos após a guerra declarada por Wednesday e Ostara/ Easter (Kristin Chenoweth) na season finale? E pelo amor dos deuses tragam nosso shipp Salim (Omid Abtahi) e Jin (Mousa Kraish) de volta!

American Gods me ganhou com a sua mitologia e suas referências a cultura pop, abordagens às mazelas do mundo, a falta de fé, arrogância e pré conceitos, além disso, possui uma fotografia de encher os olhos, uma trilha sonora repleta de Jazz, porém ainda assim cheia de peculiaridades, com atuações incríveis e oito episódios que só fazem o telespectador clamar por mais. Nos vemos na segunda temporada, com uma guerra já declarada, com questões urgentes a serem resolvidas e mistérios a solucionar.

Quantos cafés a primeira temporada de American Gods merece?

 

Anúncios