“IT – A Coisa” é uma readaptação do livro homônimo escrito pelo mestre do horror Stephen King em 1986, a obra já havia sido adaptada para uma mini-série de TV em 1990 que posteriormente foi lançada em formato de DVD com o nome “IT: Uma Obra-Prima do Medo”. Essa nova adaptação do clássico do horror foi dirigida pelo argentino, declarado fã das obras do autor, Andy Muschietti (Mama) com roteiro de Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman.

Na década de 80 durante as férias escolares, Bill (Jaeden Lieberher), Richie (Finn Wolfhard), Stan (Wyatt Oleff), Mike (Chosen Jacobs), Eddie (Jack Dylan Grazer), Ben (Jeremy Ray Taylor) e Beverly (Sophia Lillis) se conhecem em Derry, uma cidadezinha do Maine, e acabam se unindo contra a gangue do valentão Henry Bowers (Nicholas Hamilton) quando ele passa dos limites. Após uma verdadeira guerra contra esse valentão, as crianças aprendem o real sentido da amizade, amor, confiança e também do medo. Henry seria o mais inofensivo dos vilões que o Clube dos Perdedores enfrentaria naquele verão.

Inconformado com o desaparecimento de seu irmão mais novo Georgie (Jackson Robert Scott) que ocorreu há anos atrás e parece ter sido esquecido pela cidade, assim como as demais crianças que começaram a desaparecer em Derry, Bill começa sua própria caçada, tendo como aliados o Clube dos Perdedores, que inicialmente se aliam ao garoto mais pela amizade do que por realmente crer que ainda há chances de se encontrar Georgie vivo.

Aos poucos, todos os membros do Clube passam a ser assombrados com os seus maiores medos até que percebem juntos que há uma presença maligna em Derry que aparece comumente na forma de um palhaço e tem um apetite voraz por crianças.

A adaptação acerta ao retratar o espírito do livro quando demonstra que o palhaço Pennywise (Bill Skarsgård) não é o único culpado por todo o mal que assola a cidade, Derry é terrível por causa de seus habitantes e a maldade daquele lugar é o que atrai e contribue para que a criatura continue surgindo de 27 em 27 anos para se alimentar; aqui temos uma das maiores características do autor Stephen King, há uma criatura maligna na história, porém, o ser humano consegue ser ainda mais perverso.

A adaptação também acerta ao explorar os dramas pessoais das crianças e a relação de amizade e companheirismo entre elas em um mundo onde os adultos fecham os olhos para perigos evidentes, é lindo ver o elo de empatia que sustenta o Clube dos Perdedores. Além disso, o filme não deixa as críticas do livro de lado, servindo ainda como alerta à problemas que foram descritos por Stephen King em 1986 e infelizmente continuam atuais como o bullying, preconceito racial, social, drogas, abuso sexual e abuso psicológico.

Se os atores mirins dão um show, Bill Skarsgård como Pennywise consegue ser tão incrível quanto Tim Curry da adaptação televisiva e se você prestar atenção, vai ver uma referência ao antigo Pennywise em cena, eu não vou aqui dizer que Pennywise 1 é melhor que Pennywise 2.0 ou vice-versa, pois eu simplesmente amei os dois palhaços com todo o meu coração.

O Pennywise de Bill Skarsgård fascina ao conseguir transitar por emoções e transmitir tudo isso em seu olhar, fala e gestual. Há cenas em que ele passa de palhaço inocente para palhaço brincalhão e palhaço sedento e salivando por um pedaço de criança em questão de segundos e é incrível ver essa transformação de atuação.

Meu Pennywise continua assustador, com traços cômicos e infantis em certos aspectos, ele manipula, brinca, torce e amacia a carne que lhe servirá de alimento enquanto canta e dança fitando sua presa com um olhar perturbador. Há quem reclame dos movimentos rápidos e do uso de computação gráfica aqui, porém, não serei um deles, é compreensível a utilização dos recursos nos momentos que foram usados e em nenhum momento a utilização beira o tosco, como estamos acostumados a ver. Além do Pennywise, vimos outras criaturas advindas dos medos das crianças, assim como temos no livro e isso foi absolutamente incrível, aqueceu o coração do fã!

IT – A Coisa adapta muito bem esse primeiro capítulo da história do Clube dos Perdedores, pois leva muito em conta o seu material fonte e faz algumas alterações que pelo menos para mim funcionam e com toda a certeza foram decisões acertadas, coisa que não aconteceu com A Torre Negra. O filme mescla bem o terror, os suspense, mistério, gore e o cômico, afinal, estamos falando de um filme sobre um grupo de crianças, então não espere ver um clima muito sério, temos crianças de verdade aqui fazendo piadas sobre garotas e órgãos sexuais.

Eu tenho certeza que todos os fãs do material original vão sair do cinema com um quentinho no coração e com vontade de voltar e assistir novamente, aos que não conheciam a obra, essa é uma excelente oportunidade de conhecer, pois Andy Muschietti trouxe sim a alma do livro para as telas de cinema. Mal posso esperar para conferir a segunda e última parte da adaptação para poder sair por aí gritando que temos uma duologia clássica do terror criada por Andy, enquanto isso não acontece saio apenas gritando que temos por enquanto a adaptação de um primeiro capítulo que é um clássico instantâneo e que alguém precisa me apresentar Andy Muschietti, pois preciso dar um abraço nesse cara!

Quantos cafés IT – A Coisa merece? Are you fucking kidding me!?

Anúncios