Último Turno (End of Watch) é o terceiro e último livro da trilogia policial Bill Hodges do escritor estadunidense Stephen King, caso você não tenha visto, fiz uma resenha de Mr. Mercedes e Achados e Perdidos também.

Brady Hartsfield, o diabólico Mr. Mercedes, está há cinco anos em estado vegetativo em uma clínica de traumatismo cerebral. Segundo os médicos, qualquer coisa perto de uma recuperação completa é improvável. Mas sob o olhar fixo e a imobilidade, Brady está acordado, e possui agora poderes capazes de criar o caos sem que sequer precise deixar a cama de hospital.

O detetive aposentado Bill Hodges agora trabalha em uma agência de investigação com Holly Gibney, a Achados e Perdidos, a mulher que desferiu o golpe em Brady e salvou milhares de pessoas no que poderia ter sido um grande desastre. Quando os dois são chamados a uma cena de suicídio que tem ligação com o Massacre do Mercedes, logo se veem envolvidos no que pode ser seu caso mais perigoso até então. Brady está de volta e, desta vez, não planeja se vingar apenas de seus inimigos, mas atingir toda uma cidade, afinal, como diz o personagem:

A vingança é uma filha da mãe, e a filha da mãe voltou.

Até então, não haviam traços de elementos sobrenaturais na trama policial de Stephen King, porém, esse elemento foi inserido no último livro da trilogia e essa inserção foi feita de forma tão genial e com certo respaldo, mesmo que inventivo, real que novamente causa ao leitor um certo frio na espinha e agonia.

Fotografia por Lucas Moreira – Todos os Direitos Reservados

Após sofrer um trauma causado por Holly ao evitar um desastre em um show de uma banda juvenil, Brady fica em estado vegetativo e assim, se livra do julgamento que deveria ter tido tanto pelo massacre no City Center, quanto pelos suicídios que orquestrou e pelo atentado no show. Porém, com esse golpe algo foi ativado no cérebro do ardiloso vilão e isso somado à drogas experimentais ministradas pelo médico do hospital psiquiátrico concederam à ele certas habilidades mentais, agora pare para imaginar o que pode vir de um louco desses com poderes mentais, sim, deu merda!

“Parecia que muitas pessoas tinham vivenciado uma espécie de hipnose ou convulsão real depois de olhar por tempo demais para a tela de demostração do Pescaria…”

Munido dessas novas habilidades, Brady orquestra um plano durante seis anos para conseguir se vingar de Bill Hodges e levar uma centenas de pessoas ao suicídio sem levantar suspeitas para si, uma vez que a imagem que as poucas pessoas que tem acesso ao seu corpo podem ver é a de um “vegetal” e mesmo que conseguíssem alcançá-lo e destruir seu corpo, Brady já não precisa dele mais.

Assim como os dois livros antecessores, King escreveu um livro frenético e nos faz temer muito pela vida dos nossos queridos e disfuncionais personagens tão amados e toda a construção dos personagens desenvolvida até esse terceiro volume foram essenciais para que pudéssemos sentir o que o autor queria que sentíssemos; isso significa que você deve preparar suas unhas e seus lenços de papel durante a leitura.

O embate final entre Holly, Jerome, Bill e Brady é incrível, é realmente difícil conseguir descrever de outra forma. Brady ou o “Príncipe do Suicídio” é terrível, inescrupuloso, ardiloso e manipulador, se você associar essas características à alguém que consegue manipular a mente das pessoas em um nível muito maior do que já conseguia quando não tinha essas habilidades, você tem a receita pronta de um desastre eminente.

Último Turno é uma excelente e agridoce conclusão para a trilogia que iniciou o autor no gênero policial, porém, ele não deixou de inserir o suspense sobrenatural na série, fazendo dela uma série única e digna de todo o acervo incrível do escritor. Brady Hartsfield certamente já entrou para o hall de vilões mais incríveis criados pelo autor, assim como Holly, Jerome e Bill entraram para o nosso coração como aqueles personagens disfuncionais que King cria e que acabamos nos afetuando como se fossem parte da família, é aquela velha sensação de querer pegá-los no colo e guardá-los em um potinho para que ninguém possa fazer mal.

A obra como um todo também trás um grande alerta e mensagem sobre o suicídio e nos mostra que é possível tirar forças de lugares improváveis e que a vida é linda, basta que saibamos enxergar sua real beleza! Caso você esteja passando por algum momento difícil, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida, pois eles possuem profissionais que podem ajudar a amenizar sua dor e nunca se esqueça de que você é uma pessoa única e especial!

Quantos cafés Último Turno merece?

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