Todas as quintas-feiras durante o Mês do Horror, eu e a Isa do blog Dicas da Isa, faremos pequenas impressões de contos de horror, mistério e morte e o primeiro conto que escolhi foi “A Máscara da Morte Rubra” (The Masque of the Red Death) de Edgar Allan Poe, conto publicado originalmente em 1842.

Eu sempre vou postar no stories do Instagram qual será o conto lido na semana, para que você possa ler junto se quiser, para que então possamos discutir um pouco sobre o conto no post de quinta. Sem mais delongas, vamos ao primeiro escolhido. Atenção, como se trata de uma história curta é inevitável que hajam spoilers, portanto, caso seja spoilerfóbico(a) leia o conto antes.

A “Morte Rubra” devastava havia muito tempo o país. Nenhuma pestilência jamais fora tão fatal, ou tão hedionda. O sangue era seu Avatar e seu sinete – a vermelhidão e o horror do sangue. Havia dores agudas, e tonturas súbitas, e depois profuso sangramento pelos poros, com o óbito final. As manchas escarlates no corpo e especialmente no rosto da vítima eram o banimento pestilente que alijava a pessoa da ajuda e solidariedade de seus semelhantes. E o processo todo de acometimento, progresso e término da doença consistia em meia hora.

Na tentativa de evitar que uma praga devastadora conhecida como “Morte Rubra” causasse a ruína de seu reino, o Príncipe Próspero isola apenas os seus mil nobres amigos abastados em uma abadia muito bem provisionada e fortificada, onde ele organiza divertimentos que os distraem enquanto a peste aniquila as pessoas o restante do país.

No quinto ou sexto mês de reclusão, Próspero organiza um glamouroso baile de máscaras para distrair os convidados. Esse baile é realizado em sete salões decorados cada um com uma iluminação de cor distinta, sendo que o salão vermelho é amplamente rejeitado por todos.

Nesse salão há um grande relógio de ébano, cujo som produzido de hora em hora era tão característico, alto e profundo que a música parava e todos aguardavam o cessar do som para recomeçar a dança. Porém, na décima segunda badalada, todos notaram uma figura vestida com vestes rubras e com uma máscara mortuária próxima ao relógio. As afrontosas vestes da figura provocaram a ira do Príncipe Próspero que corre até ela para desmascará-la e entregá-la a uma punição de morte por caçoar de todos e fazer uma piada de mal gosto com algo que todos ali temiam. Porém, Próspero pouco conseguiu ir adiante com seu plano, pois antes mesmo de tocar a figura caiu morto ao chão.

E as Trevas e a Dissolução e a Morte Rubra estenderam seus ilimitados domínios sobre eles todos

É incrível como em menos de sete páginas Poe consegue criar um ambiente e te deixar imerso naquela realidade, a experiência de ler o conto é completamente imersiva e recomendo que ele seja lido à noite.

A presença da figura trajada de rubro e sua revelação quando sua máscara é retirada é uma das coisas mais arrepiantes que eu já li e o conto não é só interessante pela sua ambientação, imersão, escrita, tensão, mistério e terror, o conto também aborda essa atitude do Príncipe de proteger seus amigos e promover divertimento enquanto milhares de pessoas que, com toda a certeza também se beneficiariam de um lugar seguro e bem provisionado, morrem vítimas da peste do lado de fora dos portões soldados da abadia.

Essa questão pode ser interpretada de várias formas, tanto de forma específica, quanto mais abrangente. Porém, o fato é que houve na estória uma proteção de um grupo mais abastado e o abandono daqueles que o príncipe considerava indignos de estarem ali protegidos da peste, a questão é que o inevitável acontecerá com todos nós, independentemente da nossa classe, nossa religião, nossas convicções, raça ou condição sexual, mas o mundo ainda está cheio de Príncipes Prósperos selando portões, se cercando de iguais e deixando o diferente e “menos digno” jogados como se nada fossem. Como disse Pitty: “Esse vidro fechado e a grade no portão/Suposta segurança/Mas não são proteção/E quando o caos chegar nenhum muro vai te guardar/De você…!”

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Quantos cafés “A Máscara da Morte Rubra” merece?

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