O Exorcista é um romance de terror escrito em 1971 e é a obra mais conhecida do escritor e cineasta americano William Peter Blatty, que também escreveu o roteiro para a adaptação cinematográfica, pela qual chegou a ganhar um Oscar por melhor roteiro adaptado. Infelizmente perdemos Blatty no início de 2017, vítima de um tipo de câncer.

Como você já deve saber, eu sou fã do gênero do horror, porém, o fato de ser fã não significa que eu não tenha medo, eu tenho medo sim e essa obra em particular sempre me despertou medo. Faz algum tempo que comprei esse livro e confesso que conscientemente fui deixando a leitura para mais tarde, com medo de encarar o que eu sabia que seria uma leitura difícil, mas já que estamos no Mês do Horror, decidi que já era hora de encarar a obra.

Chris Macneil é uma famosa atriz que não está lá muito feliz com seus últimos trabalhos e com a péssima qualidade dos roteiros que se vê obrigada a trabalhar, além disso, ela cria sua filha Regan sem ajuda do marido, uma vez que é divorciada, pois seu ex não aguentou a pressão de ser marido de uma estrela de cinema.

Ocupada com seus trabalhos, Chris sempre deixa sua filha nas mãos dos seus confiáveis colaboradores que são tratados por ela quase como membros da família, mas isso não significa que ela não dê atenção para a filha, quanto está fora dos sets de filmagem, Chris se dedica inteiramente aos cuidados de Regan. Certo dia, Chris vê a chance de ter seu maior sonho realizado, quando chega em sua casa um roteiro e uma proposta para que ela dirija seu primeiro filme; porém, o sonho logo é ameaçado quando sua filha começa a adoecer e lhe força a deixar de lado seu sonho para cuidar de Regan.

A doença misteriosa de Regan é minunciosamente investigada, porém, gradualmente, começam a ocorrer distúrbios de poltergeists na casa, como tremor na cama da menina e objetos se movendo misteriosamente, o cheiro de queimado e carne podre se aliam aos distúrbios e aos poucos Regan começa a apresentar perturbadoras alterações físicas, comportamentais e psíquicas. Apesar de diversos exames com os melhores neurologistas e até mesmo uma internação em uma clínica psiquiátrica, o quadro de Regan só apresenta pioras.

Fotografia por Lucas Moreira – Todos os Direitos Reservados

Quando Dennings, o diretor e amigo de Chris é misteriosamente encontrado morto, de forma estranha e horrenda, nas escadarias próximas à casa das Macneil que o detetive Kinderman ao começar a investigar o caso, desperta em Chris a desconfiança de que talvez Regan tenha assassinado Dennings.

Desesperada com o acontecimento e com o quadro terrível da filha, Chris deixa de lado sua falta de crença religiosa e recorre ao padre jesuíta Damien Zarras solicitando a ele um exorcismo. Damien, além de padre, é um psiquiatra que naquele momento está sofrendo um conflito interno de falta de fé, provocado pela morte de sua mãe.

Inicialmente, Karras passa a analisar o caso de Regan de forma científica, empregando seus conhecimentos em psiquiatria, sempre resistindo à ideia de que o caso se trataria de uma possessão demoníaca de fato, porém, como o passar do tempo e o aumento dos indícios de que realmente se trata de uma possessão, Karras solicita ao bispo a autorização para realizar o ritual.

É interessante como nesse ínterim o autor brinca com a nossa percepção, enquanto o padre faz sua investigação para levantar provas cabais que lhe permita solicitar ao bispo que o exorcismo seja realizado, somos constantemente convencidos de que aquilo se trata mesmo de uma possessão, para logo depois termos nossas convicções derrubadas por detalhes que deixam Karras e o leitor em dúvida, e a narrativa segue deixando essa dúvida na cabeça do leitor, será que Regan está mesmo possuída pelo demônio ou é apenas uma criança traumatizada pelo divórcio dos pais e procurando atenção?

O bispo, devido às provas coletadas por Karras, autoriza o ritual e envia o Padre Merrin para auxiliá-lo, uma vez que ele tem experiência em realizar exorcismos. No início do livro vemos esse mesmo Padre em uma escavação arqueológica, onde ele encontra uma estatueta do demônio Pazuzu e com ela uma série de presságios quanto à um eminente confronto com um mal poderoso. O terceiro ato do livro, então, é focado no embate entre o demônio e os sacerdotes, que causam grade desgaste físico, espiritual e psicológico não só em Karras e Merrin, mas em todos os residentes da casa.

“O Exorcista”, é um romance de terror incrivelmente bem escrito, com personagens bem desenvolvidos, completos, cheios de camadas, jornadas pessoais e medos que são obrigados à enfrentar para seguir em frente e enfrentar um mal ainda maior, a obra é basicamente um estudo sobre a fé, sobre o que é possível extrair dela e como ela pode ser poderosa tanto para o bem quanto para o mal, ela também ressalta um ponto em comum entre crenças, um mal comum que independente de se crer ou não, faz com que os personagens se dispam de suas convicções e medos que não lhe permitem acreditar, para focar em enfrentar aquilo que os ameaçam e é um mal indubitável.

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Quantos cafés ungidos com água benta O Exorcista merece?

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