Chegou a nossa última quinta-feira do Mês do Horror e por consequência o último post de conto de horror do mês, quero agradecer muito à Isa do Dicas da Isa que participou dessa loucura comigo e também às pessoas que participaram escolhendo os contos, lendo e comentando por aqui!

No inicio da semana eu fiz uma enquete la no stories do Instagram e decidi que dessa vez iria pedir a opinião de vocês de uma forma diferente, ao invés de colocar dois autores e depois dois contos do autor vencedor para que vocês escolhessem, coloquei dois contos e vocês deveriam escolher o titulo que lhes desse medo, o escolhido foi “A Janela Vedada” do autor Ambrose Bierce que ganhou de lavada do autor Bram Stoker com seu “A Selvagem”.

Ambrose Bierce foi um ex-oficial do Exército da União que foi gravemente ferido em combate durante a Guerra Civil (1861 – 1865), tornou-se jornalista na costa Oeste dos Estados Unidos e escrevia ensaios sarcásticos, tendo em sua escrita a influência de Mark Twain e Edgar Allan Poe, a sua morte é cheia de mistérios e até hoje não se sabe ao certo onde e quando ele faleceu.

O conto é narrado por um homem que conta para o leitor uma história que um dia fora lhe contada pelo seu avô. Quando pequeno, esse homem, costumava brincar perto de certa propriedade com fama de ser assombrada e sempre atirava uma pedra contra uma janela vedada da propriedade e saia correndo. O conhecimento que ele e a maioria das pessoas no ano de 1830 tinha sobre a propriedade era de que ela pertenceu à Murlock, um homem calado que assim como sua esposa, faleceu na propriedade.

Ele vivia sozinho numa habitação de madeira cercada de todos os lados pela vasta floresta cuja escuridão e o silêncio ele próprio parecia pertencer, pois ninguém jamais o vira sorrir nem o ouvira dizer uma palavra supérflua.

Porém, o avô do nosso narrador conhece uma história que ocorreu antes da morte do casal, certo dia, ao chegar em casa após uma tarde de caça, Murlock encontra sua esposa alquebrada, delirante e convalescente; ela morre e Murlock em estado de choque começa a fazer os preparativos para enterrar sua amada no quintal da propriedade, assim, passa a noite construindo o caixão, se dedicando a vestir e deixar sua amada pronta.

Cansado do intenso trabalho, tomado pelo choque e incapacitado de sentir, Murlock cai no sono e quando acorda presencia a luta de uma pantera tentando alcançar o corpo de sua amada, ele é golpeado pela fera e desmaia. Quando Murlock acorda e olha em direção à janela, vê o corpo de sua amada e um pequeno detalhe na cena atormentará a sua vida para sempre e eu tenho certeza que fará todos os pelos do seu corpo se eriçarem!

“A Janela Vedada” é um conto bem curtinho, cerca de quatro páginas e possuí uma profundidade arrasadora, há aqui uma passagem sobre a dor, principalmente a dor de perder uma pessoa amada, que pelo menos ao meu ver e levando em conta a minhas experiência com esse tipo de dor, é a descrição mais perfeita que alguém poderia ter feito da sensação, durante a leitura e após concluí-la, reli essa citação diversas vezes e é incrível como ela continua a me arrepiar e confortar ao mesmo tempo.

Li esse conto na minha edição de “Contos de Horror do Século XIX – Escolhidos por Alberto Manguel”, esse livro reúne contos maravilhosos e por muito tempo ficou esgotado. Esse mês a editora Companhia das Letras acabou republicando a obra e você pode adquirir clicando aqui.

Quantos cafés “A Janela Vedada” merece?

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