SETEMBRO POLICIAL: APENAS UM OLHAR – HARLAN COBEN

“Apenas um olhar” é um thriller escrito pelo autor best-seller Harlan Coben em 2004. O livro foi lançado no mês de Julho no Brasil pela TAG – Experiências Literárias em parceria com a Editora Arqueiro para os assinantes do plano TAG Inéditos, a obra conta com tradução de Ricardo Quintana.

Caso eu não esteja enganado, ou minha memória esteja estragada, li alguns livros do Harlan Coben durante a minha adolescência (“Não conte a ninguém”, “Cilada” e “Confie em mim” são alguns dos livros dos quais me recordo). Isso foi bem no começo da minha vida de leitor e, com a descoberta de novos livros e novos autores, acabei me desligando das obras do Harlan.

Quando descobri que a obra do mês de Julho da Tag Inéditos seria um livro do autor, refleti sobre o motivo pelo qual nunca mais retornei para suas obras, que são amplamente elogiadas. Até assisti a série “Safe” da Netflix, mas livros mesmo, nada. Foi aí que cheguei à uma conclusão que foi reforçada com a leitura de “Apenas um olhar”, mas falarei sobre isso um pouco mais adiante.

Grace Lawson é uma artista, casada e mãe de dois filhos. As suas obras de arte são extremamente conhecidas, não só pelo seu talento, mas sim pelo que elas retratam, um incidente terrível do passado que deixou Grace em estado crítico no hospital, um trauma que a faz mancar até hoje e até mesmo algumas mortes. Esse incidente ocorreu durante um show da Jimmy X Band, onde tiros iniciaram uma confusão que resultou em pânico generalizado, Grace e outros fãs da banda que estavam próximos ao palco acabaram sendo pisoteados.

Anos depois, Grace convive bem com sua dificuldade de mobilidade, mas não consegue superar o status na qual foi colocada. Todos os familiares dos que não sobreviveram ao trágico acidente, inicialmente passaram a tratar Grace como uma benção, derramando sobre ela todo amor e carinho que não podem mais ser dispensados aos entes queridos mortos, porém, com o tempo, esse amor transformou-se em outra coisa, um sentimento de que Grace agarrou a centelha de sorte que seus entes queridos deveriam ter agarrado, como ela poderia ser mais merecedora de estar viva afinal de contas?

Imersa em sua rotina, Grace decide ir buscar um filme que mandou revelar, ela encontra, no meio das fotos da família, uma que não pertence ao rolo. Trata-se de uma fotografia de no mínimo vinte anos atrás, e, entre as cinco pessoas retratadas nela, há um homem que se parece muito com Jack Lawson, seu marido.

Intrigada com a fotografia, Grace decide mostrá-la ao marido, que nega ser ele retratado ali, porém, após fazer uma misteriosa ligação, Jack desaparece levando a fotografia, para o desespero da esposa. Conforme as horas passam e não há sinais do marido, a artista decide entrar em contato com a polícia, porém, diante da falta de interesse das autoridades, começa a investigar e coletar informações para convencê-los de que o assunto é mesmo sério.

Aos poucos, Grace começa a desvendar quem são as pessoas que estão naquela misteriosa foto e, quando ela descobre que uma dessas pessoas foi morta em circunstâncias estranhas, começa a pensar que seu marido possa estar em apuros. Quando a artista recebe uma ligação do marido para tranquilizá-la e ele usa um código dos dois para informar a esposa que há algo errado, Grace não vê escolha senão agir com todas as armas que possui para salvar o marido.

O livro possui vários pontos de vista narrados em terceira pessoa e há muitos personagens transitando pela vida de Grace, pelo passado de Jack e pelos mistérios acerca da fotografia. Temos a amiga hacker de Grace, ajudando a encontrar as pessoas da foto, um homem poderoso que criou um vínculo grande com Grace após o acidente no show da Jimmy X Band, o próprio vocalista da banda que anseia por uma chance de redenção, uma dona de casa que avista um homem misterioso invadindo a casa de seu vizinho e um investigador que se mostra interessado pelo paradeiro de Jack, porém não pelos motivos que apresenta à Grace.

Assim, o leitor precisa estar munido de agulha e linha para costurar essa grande colcha de retalhos, sempre com uma certa indução ao erro conduzida pelo autor que só amarra quase todas as pontas nas últimas páginas do livro, deixando algumas questões em aberto para interpretação do leitor, coisa que eu particularmente gostei bastante.

Preciso dizer que a obra não me agradou e que foi uma experiência sofrível de leitura. Os personagens não são interessantes, com exceção do assassino de aluguel que só mata com suas próprias mãos e técnicas assustadoras, e a trama demora muito mais do que o necessário para engatar, acho que fui começar a entrar na história, me empurrando bastante para conseguir, depois de mais de 250 páginas desse tomo de pouco mais de 400 páginas, faria muito bem à obra um corte de pelo menos 200 páginas, é sério, não faria falta alguma! Outro ponto negativo fica por conta da resolução do mistério, DO NADA baixou o Sherlock Holmes na personagem principal e ela consegue deduzir absolutamente tudo que aconteceu, um belo balde de água fria, se bem que depois de tanto sofrimento, seria demais pedir por um final incrível né?

Tendo todos esses fatores em mente, acho que consegui entender o motivo pelo qual não li mais obras do autor, as minhas descobertas posteriores se mostraram mais interessantes. Não estou querendo dizer que Harlan Coben é ruim, muito pelo contrário, as obras que li até o momento funcionaram como bom entretenimento, acho que o grande problema foi justamente retomar a leitura de Harlan com uma obra escrita em 2004, que se provou, pelo menos para mim, um livro bem inferior às minhas lembranças e a ampla fama que o autor conquistou com suas obras.

“Apenas um olhar” é um livro que se estende muito mais do que o necessário, sofre com o excesso de páginas, excesso de personagens e falta de foco, a presença de Eric Wu, um assassino de aluguel frio e a evocação do inicio do século XXI e das tecnologias, que hoje não vivemos sem, são os pontos altos dessa obra enfadonha.

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Quantos cafés “Apenas um olhar” merece? Bom, para me manter acordado durante a leitura foram vários, mas…

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