Ponto Para Ler – Contos é uma coletânea de cinco contos escrito por Paulo Souza, idealizador do blog Ponto Para Ler que existe há quatro anos, particularmente super indico o blog, principalmente para quem se interessa por escrita e quer ter uma boa fonte de dicas para se aventurar nessa arte de contar histórias.

Diário de John Robinson Miller

O primeiro conto do livro é escrito em forma de diário por John Robinson Miller, um jovem que é convocado para servir o exército em plena Segunda Guerra Mundial.

Acompanhamos os pensamentos do personagem desde o recebimento da carta de convocação e vamos percebendo que a situação na qual John é obrigado a estar não condiz em nada com o que ele é de fato.

Pelo destino, pensamento positivo, justiça divina ou simplesmente pelo fato de saber ler e escrever, John é retirado de seu batalhão e levado para um outro que não tem por objetivo integrar a frente de batalha, pelo contrário, John se vê em meio ao “cemitério cinza”, um lugar repleto de tanques, aviões e equipamentos quebrados dos quais ele precisa consertar.

Em meio ao trabalho, o personagem se vê intrigado e até mesmo obcecado por um avião B-25 chamado de Donzela, fato é que muitas coisas estranhas acontecem quando John está cuidando do avião e esses eventos estranhos vão se intensificando até o final do conto.

Eu particularmente adorei o conto e foi uma ótima escolha do autor para abrir o livro, a visão sensível e ao mesmo tempo perturbada e traumatizada de John rende um conto no mínimo curioso que vai te deixar com certas dúvidas no final quanto a sanidade do personagem e a sua própria sanidade. Desculpa dizer, mas eu fiquei pensando na Donzela também!

Ptah

No conto, o jovem Ptah, filho do escriba do feudo, é tentado por sua senhora, porém, recusa a oferta da mulher e prefere se manter fiel à Ísis, seu primeiro grande amor.

É claro que a senhora do Feudo não aceitaria uma afronta passivamente, então, ao perceber que sua amada não vem ao seu encontro em um dia que mudaria para sempre a história dos dois, Ptah começa a se preocupar e sua preocupação só aumenta quando Edrofo, uma entidade que diz ser um agente da ação aparece com uma proposta na qual Ptah terá que fazer uma escolha.

Como eu me diverti com esse conto! Eu amo mitologia e sabia que a aparição de um ser superior pedindo para que um humano buscasse algo para ter o que quer em troca não resultaria em boa coisa. Uma das características que mais gosto nas criaturas  e seres mitológicos é que eles costumam ter um senso de humor peculiar e foi justamente por se utilizar disso no conto que o autor ganhou mais um ponto comigo!

Um Conto de Amor e Guerra

Não há titulo melhor para definir o que é o terceiro conto, eu particularmente não gosto muito de romances, contudo, não posso negar que o conto me chamou atenção.

A história gira em torno de um rei que, após uma batalha, é dado como morto e tem seu reino usurpado. Porém, o rei não estava morto e sim sendo cuidado por Liluani, filha de Sanvor, Senhor das Florestas, por quem acaba se apaixonando.

Após se recuperar de seus ferimentos, o rei retorna para reconquistar o seu reino, tarefa que se mostra difícil graças ao louco rei usurpador.

O conto fluiu bem para mim e deixa a mensagem do que somos capazes de fazer por amor, por um amor verdadeiro, um sentimento imortal compartilhado. Lindo!!!

Descobertas Mentais

É difícil eleger um conto favorito, uma vez que os contos abordam assuntos diferentes, porém Descobertas Mentais foi um dos que mais me chamou atenção!

Eu não posso falar muito dele aqui sem dar spoilers, pois o conto é bem curtinho, o que eu posso dizer é que a história fala sobre a rotina e deixar-se dominar por ela. O texto e as explicações acerca da situação do personagem são tão mind-blowing que me senti em um episódio de Black Mirror durante a leitura! Coisa de doido!

Despertar

Se os contos apresentados até aqui ainda não foram suficientes para te convencer a correr para ler o livro agora, se prepara que desse você não escapa!

“Despertar” de longe foi o conto que mais me deixou boquiaberto, sério, minha vontade foi de pegar meu e-reader e sair mostrando trechos para todos os meus amigos e obrigá-los a ler o conto.

Na história, o personagem Luís, assim como todos os habitantes da Terra, está em sono induzido. O sono foi induzido por Deus e aqui o autor retrata sua visão do Apocalipse, onde o ser humano é forçado a combater seus próprios egos.

Quando eu comecei a ler o conto tive a impressão que seria algo como o anterior “Descobertas Mentais” e de verdade não estava preparado para o plot-twist do conto e muito menos para a quantidade de coisas que li e que me chocaram justamente pelo fato de que a minha forma de pensar sobre certas questões, são exatamente iguais as respostas que o conto fornece sobre questões como pecados e demônios. Paulo, parabéns!

Catedral

O conto que encerra o livro é o menor da compilação, mas isso nem de longe significa que tenha menos conteúdo!

Aqui o autor critica a “castração” da Catedral de Brasília, se colocando no lugar da construção para mostrar o quanto se perde com o absolutismo religioso. Corajoso e preciso!

Ponto Para Ler – Contos é mais um exemplo do que sempre tento dizer aqui no blog, os leitores brasileiros precisam passar a valorizar o trabalho nacional, é sempre gratificante ler uma obra nacional tão bem escrita, desenvolvida e contextualizada, espero que você também tenha o prazer de conferir o potencial que os novos autores brasileiros tem a oferecer, inclusive vou dedicar as postagens dessa semana a obras independentes de autores nacionais, então, não deixe de conferir nenhum post essa semana!

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Quantos cafés Ponto Para Ler – Contos merece?

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